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Pelas tabelas

In Abstração on 19/05/2009 by anibarichello

Quando vi a galera aplaudindo de pé as tabelas

Eu jurei que era ela que vinha chegando

Com minha cabeça já pelas tabelas

Claro que ninguém se importa com minha aflição

[HOLANDA; Francisco Buarque de]

BeFunky

Gosto, e não gosto de seres humanos, talvez pelo asco que sinto por mim mesma e por meus defeitos. Tenho repensado a compaixão. Exercê-la adequadamente seria, ver o outro em mim, ou me reconhecer no outro? Temos a incrível capacidade de assimilação para nos identificarmos com trechos de músicas, personagens de filmes, histórias relatadas em livros, mas quando nos deparamos com situações em que precisamos imaginar o outro em nós e reconhecer o seu sofrimento e sacrifício como justo, falhamos. Quando pensamos a atitude de outro indivíduo usamos como paradigma nós mesmos, nossas falhas, erros e defeitos. Então, por que quando temos que pensar e compreender o sofrimento e a dor alheia ela sempre é diferente e inferior à nossa? Preciso transcender, ou isolar-me completamente.

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Antônio Carlos Jobim – Tom Canta Vinícius (Ao Vivo)

In Ao Vivo, Bosso Nova, Brasil, Download, Tom Jobim, Tributo, Vinícius de Moraes on 23/04/2009 by anibarichello

untitled-110Melhor álbum ouvido em 22/04/2009.

Melhor música: A Felicidade.

Minha impressão: Voz, piano, flauta, violão e cello e sentimento, precisa mais?

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Teitur – The Singer

In Acústico, Download, Escandinávia, Folk, Teitur on 21/04/2009 by anibarichello

teiturthesinger

Melhor álbum ouvido em 21/04/2009.

Melhor música: a que dá o nome ao cd, The Singer.

Minha impressão: Doce, a voz é  agradável, a parte intrumental é muito harmoniosa. De modo geral é  calmo, em certos momentos chega a ser melancólico.

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Inútil

In Abstração, Biográfico, Desocupação, Papo Furado on 09/02/2009 by anibarichello

Estou atrás do que fica atrás do pensamento. Inútil querer me classificar: eu simplesmente escapulo. Gênero não me pega mais. Além do mais, a vida é curta demais para eu ler todo o grosso dicionário a fim de por acaso descobrir a palavra salvadora. Entender é sempre limitado. As coisas não precisam mais fazer sentido. Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é possível fazer sentido. Eu não: quero é uma verdade inventada. Porque no fundo a gente está querendo desabrochar de um modo ou de outro.

LISPECTOR; Clarice

papelamassado

Há uma semana tento escrever um texto decente – interessante, engraçado, sei lá. Ontem li alguns aforismos e pensei em colocar para fora minha frustração por não me ver mais retratada em meus textos, mas isso não faz a menor diferença. Depois de anos percebo que não sei exatamente qual a função de um blog, ou sei? Provavelmente alguém que queria se livrar de algumas idéias presas em sua mente, ou um nerd que ao invés de escrever em um diário resolveu fazer registros virtuais, filosofar, expor tudo o que sabia de interessante, mas não tinha oportunidade de contar, expressar o que ele nunca teve coragem de dizer pessoalmente. Tanto faz.

Hoje escrevi aproximadamente uma página no Word, um mini conto, e um breve desabafo sobre a complexidade de escrever sem ser abstrato e, ao mesmo tempo, não se expor demais. Apaguei. Quem precisa disso?

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In Conto on 21/01/2009 by anibarichello


E quando mais no céu eu vou sonhando,
E quando mais no alto ando voando,
Acordo do meu sonho…E não sou nada!…

ESPANCA; Florbela

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O sol esta forte. No céu uma única, precária e efêmera nuvem, incapaz de fornecer abrigo aos transeuntes.
Sem sombra, sem vento, sem indícios de uma chuva de verão para despertar o delicioso e nostálgico perfume que o pó produz quando deixa de sê-lo.
Milena andava atordoada pela lentidão de sua pressão sanguínea, precisava de um banco para senta-se, sob uma árvore seria melhor, mas tinha consciência de que qualquer um serviria.
Ela estava com pressa, atrasada para um compromisso importante e inadiável, mas naquela hora nada mais importava, ela desejava apenas sentar-se.
Talvez fosse uma miragem, talvez não, foi o que ela pensou quando avistou uma praça simples, com vários ipês, roxos, sua cor predileta. Vários bancos, sob aquelas belas árvores, melhor seria impossível.
Permaneceu imóvel diante da indecisão: apressar-se ou não. Não havia qualquer indício que possibilitasse certeza se aquela visão, ou não.
Por algum tempo deixou-se imaginar sentada sob os ipês maravilhosa sensação de frescor, naquele curto período, como num flashback pensou que provavelmente ela estava levando as coisas a sério demais, seus problemas, os problemas dos outros, os horários marcados, as ordens que recebia, a irritação por perder alguns segundos esperando o elevador. Naquele momento tudo parecia superficial e subsidiário.
À medida que se aproximava da praça sentia o ar cada vez mais fresco, permitiu-se acreditar piamente que o lugar realmente existia. Quando estava prestes a dar o último passo tudo ficou sem cor, sem som, sem cheiro, sem temperatura, sem textura, desmaiou.
Acordou em um lugar mais fresco, é verdade, mas nada agradável, ela conhecia aquele cheiro insalubre, aquele clima.
Jamais quis averiguar se a praça existia realmente, é infinitamente melhor imaginar.